


Não, estas imagens não são da periferia londrinense. Nem da periferia de qualquer outra cidade. As fotos foram clicadas em plena Av. Madre Leônia, lugar chique, caminho do Shopping Catuaí e de dezenas de condomínios residenciais de alto nível. Tudo o que Londrina oferece de pior em termos de poluição visual está aqui: locais absolutamente impróprios para outdoors, muros pintados (como nos tempos do homem das cavernas) e filas de paínéis dispostos como se fossem trenzinhos. Se fossem seguidas, as boas regras da comunicação publicitária não deixariam nenhum dos anunciantes expor um outdoor sobre muros pintados.
E ainda há gente dizendo que não, que Londrina não tem poluição visual?
Enquanto nosso blog tem mostrado sob vários ângulos a poluição visual na publicidade exterior da cidade, pouca importância se tem dado aqui em Londrina à criatividade na preparação das vitrines de lojas, principalmente das que ficam de frente para as ruas. 
e inventivos, que utilizam materiais diferenciados, atraentes, sofisticados e até reciclados, na montagem de vitrines.
os da cidade, os painéis estão posicionados acima de muros que também foram pintados com propagandas. O resultado é uma paisagem carregada, um emaranhado de letras e logomarcas no qual é difícil distinguir as mensagens. “A função do outdoor é lembrar a marca, ser uma coisa sucinta. Noto que, em Londrina, tornaram-se verdadeiros classificados, com textos longos e muita informação, que nenhum motorista consegue ler”, afirmou Bahr.
Pelo que se vê nas ruas e avenidas londrinenses, a maioria das empresas nem sabe o que significam Responsabilidade Ambiental e Responsabilidade Social.
Na verdade, este outdoor nem mereceria comentários. Mas é bom que os estudantes de Comunicação vejam e analisem o trabalho. Assim, espera-se que não realizem tantos erros. Não dá para identificar a entidade que assina o outdoor e é muito difícil, talvez impossível, ler os nomes das escolas que se dizem "legais". A tipologia está horrível, os espaços mal ocupados e distribuídos, o layout é absolutamente "quadrado", enfim, é uma perfeita salada mista concorrente ao prêmio do pior trabalho do ano em Londrina. É de se duvidar que um profissional da área da publicidade possa ter realizado tal soma de imperfeições.
Estranhamente, na cidade de Londrina, que possui várias faculdades, inclusive a conceituadíssima UEL, os erros de português no material publicitário e nos jornais se repetem constantemente e nos assustam. Será esta a feição da nova geração, indiferente aos erros, indiferente à importância do idioma, indiferente ao perfeccionismo na elaboração dos seus trabalhos?
Quando criamos o blog “Visual de Londrina” em 2007, descrevemos a cidade como sendo uma cidade muito bonita, criada em área geograficamente privilegiada, onde o céu azul de outono invade, sem pedir licença, todas as estações do ano.
A paisagem bonita conta com a integração criativa dos nossos arquitetos e é pontuada por uma grande quantidade de áreas verdes.
Chamou-nos a atenção, no entanto, o elevado grau de poluição visual que tomava conta da cidade. Passamos a documentar fotograficamente o excesso de placas, cartazes, cartazetes, penduricalhos, letreiros, luminosos e outras invenções da comunicação publicitária, algumas delas de absoluto mau-gosto na sua criação e falta de critério na sua colocação.
O blog logo despertou o interesse da comunidade: rádio, jornais, emissoras de televisão e revistas nos procuraram para entrevistas e a Prefeitura encampou a ideia paulistana de criar a lei “Cidade Limpa” – aprovada sob muitos protestos dos lojistas e das empresas de comunicação exterior, responsáveis pela absurda quantidade de outdoors instalados por metro quadrado na cidade.
Discussões à parte, a lei (que foi aprovada parcialmente), começa a dar nova feição à Londrina.
É esta Londrina de cinco anos atrás e de hoje que você, leitor, encontra neste blog – o mais completo sobre comunicação e poluição visual do Brasil.
Nosso intuito é continuar a documentar o visual da cidade, lembrando que os comentários e críticas não visam prejudicar, denegrir ou desmerecer pessoas ou empresas, sendo nossa única intenção prestar uma contribuição para que Londrina produza uma comunicação visual cada vez mais bonita, eficiente e criativa.