14.9.07

A função dos outdoors

Há algumas décadas, a publicidade em outdoors tinha apenas a finalidade de complementar as campanhas de propaganda de algum produto ou serviço, servindo principalmente como suporte e lembrança da marca ou da campanha. Em geral, seu visual era bem enxugado e o belo resultado da criação chamava a atenção dos passantes. Fiéis a estes propósitos, os criadores levavam em conta o pouco tempo de que um motorista dispunha ao passar pelo local, pois no caso de o outdoor conter muita informação, não haveria tempo hábil de ler a mensagem.

Para a instalação de painéis em auto-estradas, havia um regulamento do DER estabelecendo distâncias mínimas do eixo da rodovia, para não desviar a atenção dos motoristas. Era muito difícil encontrar locais apropriados e os custos para a instalação eram bastante caros (menos oferta, maior custo). Aos poucos houve certa liberalização das autoridades (ou abuso dos anunciantes) e começaram a surgir painéis, placas e outros artifícios para indicar um posto de serviço, um restaurante, uma borracharia, um ponto de vendas de frutas... o acatamento à distância mínima foi sendo deixado de lado e as regras para outdoors nas estradas começaram a ser rompidas.

Nas cidades, cada qual com postura municipal própria, a proliferação de outdoors deu-se rapidamente. Poucos municípios implantaram uma regulamentação para publicidade exterior e de outdoors. Por isso, as cidades começaram a ficar mais feias, tanto nas ruas comerciais, como nas vias mais movimentadas e nos seus entornos.

Londrina é um exemplo flagrante da falta de regulamentação da publicidade exterior. Existe um Código de Postura Municipal, mas este não estabelece limites nos tamanhos e na colocação. Tudo é muito confuso, a invasão de outdoors em Londrina parece um tsuname invadindo as ruas e avenidas, multiplicando-se geometricamente como coelhos. Ao mesmo tempo, das então mensagens curtas - a arma dos outdoors - aqui em Londrina são produzidos verdadeiros anúncios de jornal, romanceados, com longos e ininteligíveis textos. Nenhum motorista consegue ler a mensagem ao passar dirigindo seu carro.

Assim, a beleza da cidade vai sendo escondida atrás de outdoors, cartazes, luminosos, banners, totens, faixas, armações placas e outras estruturas, tudo sem quaisquer regras, medidas, distâncias, estética, nem análise das conseqüências.

Está mais do que na hora de se repensar as regras da comunicação exterior em Londrina. Impedir a poluição visual é um dever de cidadania!

3 comentários:

Nóis disse...

Tsunami
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Nota: Se procura a banda desenhada, consulte Tsunami (Marvel).

Uma das 33 gravuras da série Fuji, elaboradas entre 1823 e 1829, mostra um tsunamiUm tsunami (ou tsunâmi, do japonês 津波 significando literalmente onda de porto) é uma onda ou uma série delas que ocorrem após perturbações abruptas que deslocam verticalmente a coluna de água, como, por exemplo, um sismo, atividade vulcânica, abrupto deslocamento de terras ou gelo ou devido ao impacto de um meteorito dentro ou perto do mar. Há quem identifique o termo com "maremoto" - contudo, maremoto refere-se a um sismo no fundo do mar, semelhante a um sismo em terra firme e que pode, de facto originar um(a) tsunami.

Nóis disse...

Julio...

Só para corrigir o tsunamE.

Obrigada!

Julio E. Bahr disse...

"Nóis":
Provavelmente 95% da população mundial sabe perfeitamente o que é na verdade um tsunami, após toda divulgação do evento pela tevê, rádios, revistas e jornais. Alguns jornalistas abrasileiraram o termo para "tsuname". Oralmente, ficou ainda pior: eles falam "tesuname".
No artigo acima, a palavra
"tsuname" foi utilizada figurativamente, para dramatizar a enxurrada de outdoors que estão se derramando pela cidade. A isso chama-se liberdade de expressão. O sentido do uso da palavra, diferentemente do seu entendimento, com certeza foi captado pela maioria dos leitores.
Escreva sempre e grato pela colaboração.
Julio Bahr